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A sério que disseste isto?


Mudanças da revolução

27.04.14

Com as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, alguns tentaram comparar como as coisas eram antes da Revolução e como são nos dias de hoje. O que é certo é que 40 anos mudam muita c...blá blá blá, vamos passar ao que interessa. Houve inúmeras coisas que mudaram, umas mais outras menos mas, há uma que sofreu uma mudança de tal ordem que só a consigo comparar ao êxodo rural em mil e troca o passo. Essa coisa, à qual me sinto segura de chamar profissão, é a coscuvilhice.

A coscuvilhice é a profissão mais antiga do mundo (não me venham com histórias de que é aquela que nós sabemos, a de pescador) e funciona como um call-center, todos o conseguem como primeiro emprego. Mas, porém, subir nesta carreira implica não só o preenchimento de uma série de requisitos como também o  adoptar de um estilo de vida que torne propício o género de actividades desenvolvidas nesta profissão. Para chegar a topo de carreira é necessário ser de meia-idade, trabalhar em casa (ser desempregado), deixar crescer o bigode e não ter carta de condução. Muitas vezes ter gatos também ajuda à progressão.

Mas, como estava a dizer, a coscuvilhice foi a profissão que mais se revolucionou nos últimos anos, sofreu alterações profundas na linha de trabalho devido a um fenómeno chamado internet. Com a internet, esta profissão passou a empregar um maior número de pessoas que diariamente fazem da coscuvilhice o seu part-time após o emprego (para algumas o emprego que tinham antes é que passou para part-time). Mas, apesar da empregabilidade ter aumentado, esta novidade virtual veio alterar os hábitos e o ritmo de trabalho dos antigos trabalhadores.

Os antigos trabalhadores, aqueles que já acumulam anos de experiência neste ramo, viram-se perante algumas dificuldades de adaptação ao novo método de trabalho, mas a pouco e pouco vão-se adaptando. Agora mais facilmente descobrem onde é que os vizinhos foram, ou o que é que estes estão a comer ou a fazer.

Porém, os trabalhadores abandonaram os antigos locais de trabalho e agora as janelas estão vazias. Sente-se a falta da senhora do gato branco na janela, que observava atentamente o passar das pessoas pelas ruas. À cerca de uns 10 anos, um senhor disse "uma bandeira em cada janela" e houve uma explosão de bandeiras nos parapeitos. Agora, eu apenas digo "uma senhora de meia idade em cada janela, e deixem a internet em paz!".

 

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